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Corazón Espinado

Omnia Vincit Amor

Renata Espíndola

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Sou uma pessoa impetuosa e desconfiada, amorosa e mordaz quando me provocam...Futilidade me deixa impaciente e mentiras me irritam...Se você não sofre de dupla personalidade e é gente boa, bem vindo ao meu blog...A casa é sua.

"Sejamos o sal e não vendedores de sal. Sejamos a luz e não refletores". (S.Tiago Alberione)

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Modéstia, amor e atração masculina... Desarme-se para ler...

O texto abaixo é muito interessante porque traz à tona questões importantes sobre modéstia, modo de vestir e atração causada nos homens, feminilidade, amor e aceitação. É em formato pergunta e resposta, sendo que a pergunta é feita por uma mulher e a resposta é dada por um homem. Vale a pena ler!


Perguntas sobre modéstia

por Pure Love Club
Traduzido e adaptado por Andrea Patrícia



Eu não entendo a questão da modéstia. Se um cara tem uma imaginação má, isso é problema dele e não meu. Porque é que tenho de me vestir de uma certa forma por causa dele?

Resposta: Se você for uma mulher jovem que tenha se cansado do modo como os caras muitas vezes tratam as mulheres, e perguntou o que poderia ser feito para restaurar um sentimento de respeito, saiba que sua arma número um para reformar o mundo é a modéstia. O problema é este: Muitos homens hoje não sabem como se relacionar com as mulheres. Mas, o remédio para esta doença está nas mãos das mulheres. "Em última análise, parece que só os homens podem ensinar outros homens como se comportar em torno de mulheres, mas os homens têm de ser inspirados pelas mulheres em primeiro lugar, inspirados o bastante para pensar que vale a pena serem corteses com as mulheres”. (1)

Como isso vai acontecer? Bem, as mulheres jovens tendem a estar conscientes de que têm o poder de seduzir um homem. Mas algumas meninas estão conscientes de que a sua feminilidade pode ser usada para educar um rapaz. Pela forma como se veste uma menina (para não falar do jeito que ela dança), ela tem uma extraordinária capacidade para moldar um homem em um cavalheiro ou em uma besta.

Eu tenho lido dezenas de milhares de páginas sobre teologia e sexo, mas eu nunca aprendi como tratar uma mulher até que eu tive um encontro com uma que se vestia modestamente. Foi cativante, e eu percebi pela primeira vez que a roupa imodesta impede de ver uma mulher por quem ela é. Trajes imodestos podem atrair um homem pelo corpo da garota, mas desviá-lo de vê-la como uma pessoa. Nas palavras de um homem, "Se você quer um homem para respeitar-te, e talvez até se apaixonar por você, então você deve mostrar a ele que você se respeita e que você reconhece a sua dignidade diante de Deus". (2)

Quando uma mulher veste-se modestamente, inspira o homem de uma forma que eu não estou envergonhado de dizer que eu não consigo explicar. Eu suponho que é seguro dizer que isso transmite o seu valor para nós. Quando uma mulher veste-se modestamente, eu posso levá-la a sério como uma mulher porque ela não está preocupada com clamar por atenção. Tal humildade é radiante. Infelizmente, muitas mulheres estão tão preocupadas em virar a cabeça dos homens que elas ignoram o seu poder de transformar os nossos corações.

Às vezes feminilidade é confundida com fraqueza, mas nada poderia estar mais longe da verdade. Uma mulher que é verdadeiramente feminina está bem ciente de que ela poderia se vestir como uma coleção de partes do corpo, e receber inúmeros olhares dos rapazes. Mas ela tem a força para deixar algum espaço para o mistério. Ela vale esperar para ver, e ela sabe disso. Ela confia no tempo de Deus, e ela sabe que não precisa embasbacar homens, a fim de capturar a atenção do homem que Deus tem planejado para ela.

O Papa João Paulo II disse na sua carta sobre a dignidade das mulheres, "Está chegando a hora em que a vocação da mulher será reconhecida em sua plenitude, a hora em que as mulheres adquirem no mundo uma influência, um efeito e um poder até então nunca alcançado. É por isso que, neste momento, quando a raça humana está sofrendo uma transformação tão profunda, as mulheres imbuídas de um espírito do Evangelho podem fazer muito para ajudar a humanidade a não cair." (3)

Então, o que é modéstia? Para começar, não é sobre parecer tão feio quanto possível. Trata-se de tomar a beleza natural da mulher, e utilizá-la para irradiar uma mensagem mais profunda sobre a sua identidade. Ela é uma filha do rei do céu, e os seus trajes, posturas, maneirismos não devem distrair disso. Ela está consciente de que seu corpo é um templo do Espírito Santo, e que seu ventre (e seu corpo inteiro) é sagrado. Isto traz uma certa humildade do corpo, uma vez que humildade é a atitude correta perante a grandeza. Neste caso, é a grandeza de ser feita à imagem e semelhança de Deus.

Isso não é um "eu sou mulher, ouça-me rugir!", mas um sentimento sereno de não necessitar buscar cegamente a atenção. Claro, a maioria dos caras vai ficar de boca aberta para a mulher que se veste de maneira provocante, mas no seu coração, você quer atrair olhares estúpidos ou quer ser amada? Você quer amor verdadeiro. Mas quando uma menina se veste imodestamente ela muitas vezes não percebe que está atirando no próprio pé, para encontrar a intimidade que ela anseia. Quando uma mulher usa roupas que não podem ser mais apertadas sem que cortem a circulação sanguínea, ela está enviando uma mensagem clara aos rapazes. Esta mensagem diz: "Ei rapazes, a melhor coisa sobre mim é o meu corpo." Eles olham, e provavelmente irão concordar. Portanto, se o seu corpo é a melhor coisa sobre ela, toda sua essência está decaída. Se isso é o melhor que ela tem para oferecer, então por que ele deveria querer conhecer o seu coração, seus sonhos, seus medos, e sua família? Ele quer conhecer o seu corpo.

Vestir-se imodestamente também prejudica as chances de uma garota ser amada, devido ao tipo de pessoa que será atraída para ela, e como irá tratá-la. Pela maneira como a garota se veste, ela envia um convite silencioso para os homens para tratá-la do jeito que ela aparenta ser. Por exemplo, considere uma revista que eu vi recentemente em um quiosque no aeroporto: Na capa era uma mulher vestindo uma saia curta que poderia ser confundida com um cinto largo. Seu top hermeticamente apertado era apenas do tamanho de um guardanapo desdobrado, e em grandes letras em negrito em toda a superfície da blusinha estava escrito "Suzie (ou qualquer que seja o seu nome - Não me lembro) quer que os homens a respeitem!". Eu desejei-lhe boa sorte e caminhei para o meu portão de embarque (depois de cobrir a revista com algumas edições da Quilty Digest. Considero isto uma obra de misericórdia - vestir os nus). Embora uma garota mereça respeito, não importa o que ela use, um rapaz pode dizer o quanto uma garota respeita a si mesma pelo modo como ela está vestida. Se ela não respeita a si própria, provavelmente os homens irão se guiar por sua conduta.

Eu realmente acredito que, no coração de uma mulher, não há desejo de parecer sexy. Existe um desejo de receber atenção, carinho e amor? Certamente. Mas, existe um desejo de ser reduzida a um objeto sexual? Nenhuma garota quer isso, mas muitas o fazem para receber gratificação emocional. Agora, quando uma garota coloca uma blusinha apertadíssima deixando a barriga de fora e mostrando o umbigo, ela não está pensando em como pretende levar os homens ao pecado. A garota pensa, "A mulher na capa da revista usou isso, e isso faz com que os homens virem-se para olhar. Então, se eu usar isso, vão olhar para mim, e eu poderia conhecer um cara legal". De forma mais simples: "Eu quero ser amada."

Então, vamos assumir que uma garota vestida provocadoramente atravesse o caminho de um homem realmente bom. O homem que ela anseia encontrar não é melhor por causa da sua roupa. Devido ao fato dos homens serem mais estimulados visualmente do que as mulheres, a falta de pudor pode facilmente acionar pensamentos concupiscentes. Quando um homem impuro abriga estas idéias que vêm à mente, a nossa sensualidade nos separa de Cristo, fonte de amor incondicional. Será que uma mulher realmente deseja separar os homens da fonte do amor incondicional que ela busca? Se não, então porque não optar pela roupa mais modesta? Não há nada de errado em usar coisas que fazem você parecer atraente, mas como uma mulher cristã, roupas sedutoras e sexy não devem ser parte do seu armário. Se o seu coração está dizendo, "Isso é muito curto?" ou "Isto parece muito apertado?" Ouça essa voz, porque ela já respondeu a sua pergunta.

Peço-vos para ouvir esta voz para seu bem e para o nosso. Para o seu bem, saiba que como um fosso rodeia um castelo, a modéstia guarda o tesouro da castidade. Para o nosso próprio bem, lembremos quando Caim matou Abel lá em Gênesis: quando Deus perguntou onde estava seu irmão, Caim respondeu, "Eu sou o guardião do meu irmão?" Da mesma maneira, é muito fácil para os rapazes e as moças eximirem-se da responsabilidade que temos de levar um ao outro para a pureza. Precisamos adotar a atitude de São Paulo Apóstolo, e viver de forma a não fazer nada que provoque o tropeço de seu irmão (Rom. 14,21).

Algumas garotas gastam mais energia tentando fazer com que os rapazes as notem (mesmo que elas não tenham interesse nos caras) do que tentando centrar a atenção de jovens homens em Deus. Como uma mulher de Deus, use a beleza de sua feminilidade para capturar almas para Deus. Não há nenhum problema com parecer atraente. Os problemas surgem, porém, quando o vestuário (ou a falta dele) é usado de uma forma desonesta, ou quando uma pessoa cai em vaidade e excesso de preocupação com parecer perfeita. Seu corpo é precioso aos olhos de Deus, e você não precisa parecer uma deusa para merecer amor.


Original em
Chastity

(1.) Shalit, A Return to Modesty, p. 157.
(2.) Mike Mathews, “Sexy Fashions? What Do Men Think?” Lovematters.com, p. 10.
(3.) João Paulo II, Mulieris Dignitatem (Intro), op. cit., p. 443.

Socialismo e Capitalismo - Modo didático e direto.

Uma jovem universitária, filha de um bem sucedido empresário, cursava o sexto semestre da Faculdade. Como é comum no meio universitário, ela estava convencida de que era de esquerda e estava a favor da distribuição da riqueza. Tinha vergonha de que o seu pai fosse empresário e consequentemente de direita, portanto, contrário aos programas socialistas e seus projetos que davam benefícios aos que mais necessitavam e cobrava impostos mais altos para os que tinham mais dinheiro.

A maioria dos seus professores e alunos sempre defendiam a tese de distribuição mais justa das riquezas do país. Por tudo isso, um dia, ela decidiu enfrentar o pai. Falou com ele sobre o materialismo histórico e a dialética de Marx, procurando mostrar que ele estava errado ao defender um sistema tão injusto e perverso como a direita pregava. Seu pai ouviu pacientemente, como só um pai consegue fazer, todos os argumentos da filha, e no meio da conversa perguntou:
 
- "Como você vai na faculdade?"

- "Vou bem, respondeu ela. Minha média de notas é 9, estudo muito mas vale a pena. Meu futuro depende disso, eu sei! Não tenho vida social, durmo pouco, mas vou em frente".

O pai prosseguiu:

- "E aquela tua falante amiga Sônia, como vai?"

E ela respondeu com muita segurança:

- "Muito mal. A sua média é 3, ela passa os dias no shopping e namora o dia todo. Pouco estuda e algumas vezes nem sequer vai às aulas. Acho até que ela é meio burra. Com certeza, repetirá o semestre".

O pai, olhando nos olhos da filha, disse:

- "Que tal se você sugerisse aos professores ou ao coordenador do curso para que sejam transferidos 3 pontos das suas notas para as da Sônia? Com isso, vocês duas teriam a mesma média. Não seria um bom resultado para você, mas, convenhamos, seria uma boa e democrática distribuição de notas para permitir a futura aprovação de vocês duas".
 
Ela indignada retrucou:

- "De jeito nenhum! Trabalhei muito para conseguir essas notas, enquanto a Sônia buscava o lado fácil da vida. Não acho justo que todo o trabalho que tive seja,
simplesmente, dado a outra pessoa".

Seu pai, então, a abraçou, carinhosamente, dizendo:

- "BEM-VINDA AO CAPITALISMO!!!"


 

Acende a fogueira do meu coração... Feliz São João!!!

O balão tá subindo
Tá caindo a garoa
O céu é tão lindo
E a noite é tão boa

São João...
São João...
Acende a fogueira
do meu coração...

 

Pula a fogueira, Iaiá

Pula a fogueira, Ioiô

Cuidado para não se queimar

Olha que a fogueira já queimou o meu amor...

Respirar também é preciso...

No meio de tanto sufoco, eis que se passaram mais de trinta dias desde a minha última postagem... Tenho estado um pouco confusa, um pouco contente, um pouco temerosa com o futuro, mas o saldo é muito positivo sem dúvida alguma. Hoje mesmo acordei após 12horas de sono, pois meu cérebro fez "pimba" e acordei recomposta para a missa dominical. Já estamos em Pentecostes... E 2009 "voa"!!!
 
Nesse dia tão especial, para nós católicos, celebramos e recordamos a vinda do Espírito Santo aos apóstolos e aos outros crentes reunidos, bem como agradecemos sua presença em cada um de nós. Rogamos para que seus dons sejam cada vez mais fortes e atuantes em nós e através de nós, para que testemunhemos com fé e vivacidade ao mundo. Sete dons tão especiais: Fortaleza, Piedade, Temor, Sabedoria, Ciência, Conselho, Discernimento...
 
"Para ilustrar o que são os dons, pode-se recorrer à imagem de um barco que navega: se é movido a remos, avança lenta e penosamente, com grande esforço para os remadores. Caso, porém, estes desdobram as velas do barco para que capte o sopro dos ventos favoráveis, os remadores descansam e o barco progride em estilo novo segundo velocidade “sobre-humana”. Ora o barco movido ao sopro do vento que bate contra as velas é imagem do cristão impelido pelo Espírito, segundo medidas divinas, para a meta da sua santificação" (BETTENCOURT, 2002).
 
 
Feliz dia de Pentecostes a todos!!!
 
 
 
BETTENCOURT, Estevão (Dom). Vida espiritual do cristão: os dons do Espirito Santo. In: Revista Pergunte e Responderemos. Rio de Janeiro: Ed. Lúmen Christi, 2002. n.479, p. 163.

Uma pequenina pérola grega encontrada ao acaso ...

Giannis Plourtaxos é um greguinho lindo e talentoso, cuja voz possante embala grandes sucessos em seu país de origem. Ainda que meu domínio do grego se limite a pequenas expressões do dia a dia, não deixo de apreciar sua música, pois mais que falar ao intelecto, músicas falam à alma... E por uma destas coincidências da vida, também fala sobre abrir/fechar janelas. Se o poeta estava esperançoso, o cantor se mostra o oposto. Como todas as dúvidas que rodeiam todos que já amaram e amam!
 
Alímono significa "ai de vós" e longe de se limitar ao lamento, indica que o amor sempre deixa marcas por onde passa...
 

Δυο
Duas
Δυο νύχτες
Duas noites
Ανταμώσαμε
Nos encontramos
Πάνω στα δάκρυά μου
No topo das minhas lágrimas
Την νύχτα που
Na noite que
Σε γνωρισα
te encontrei
Τη νύχτα που χωρίζουμε
Na noite que nos separamos
Και κλαίν’ τα όνειρά μου
E meus sonhos choram
Θα πνίξουν την καρδιά μου
E afogarão meu coração

Χωρίς την αγάπη σου θα ήμουνα μόνος
Sem seu amor estarei sozinho
Η πίκρα θα μ’ έπνιγε, το δάκρυ, ο πόνος
A amargura me sufocará, as lágrimas, a dor
Εσύ με οδήγησες στης γής την ελπίδα
Você me levou à terra da esperança
Του κόσμου το νόημα στα μάτια σου είδα
Eu vi o sentido do mundo dentro de seus olhos

Αλίμονο σ’αυτούς που δεν αγάπησαν
Ai de vós que não amaram
Αλίμονο, αλίμονο, αλίμονο
Ai de vós, ai de vós, ai de vós
Αλίμονο σ’αυτούς που δεν δακρύσανε,
Ai de vós que nunca derramaram uma lágrima
ζωή,
Vida
Την ομορφιά σου δεν γνωρίσανε
Não conheceram sua beleza
ζωή
Vida
Την ομορφιά σου δεν γνωρίσανε
Não conheceram sua beleza

Η νύχτα απλώνεται παντού
A noite se prolonga por todos os lugares
είν’ το τραγούδι του ουρανού
É a canção do céu
Νύχτα βαθιά πολύ βαθιά
noite profunda, muito profunda
μες στην ψυχή μου με σκέπασε η ερημιά
dentro da minha alma, a desolação me cobriu
μια θλίψη και μια παγωνιά
uma tristeza e um frio
γιατί να φύγεις ξαφνικά απ’τη ζωη μου
por que você saiu da minha vida de repente?

Θέλω απόψε να σου γράψω μα
Hoje à noite quero te escrever
μα φοβάμαι μήπως κλάψω
mas tenho medo de chorar
Με κουράσανε τα δάκρυα και οι λυγμοί
Estou cansado das lágrimas e de soluçar
τα παράθυρά μου κλείνω
estou fechando minhas janelas
πάλι μόνος μου θα μείνω
ficarei sozinho novamente
θα με πνίξουν πάλι απόψε οι στεναγμοί
Os suspiros vão me afogar esta noite

 

Para escutar esse fofo cantando: http://www.youtube.com/watch?v=ppUF4tDhvFg

 

Um pouco de poesia neste início de semana...

 
PIEDRITAS EN LA VENTANA

 

De vez en cuando la alegría
tira piedritas contra mi ventana
quiere avisarme que está ahí esperando
pero me siento calmo
casi diría ecuánime
voy a guardar la angustia en un escondite
y luego a tenderme cara al techo
que es una posición gallarda y cómoda
para filtrar noticias y creerlas

quién sabe dónde quedan mis próximas huellas
ni cuándo mi historia va a ser computada
quién sabe qué consejos voy a inventar aún
y qué atajo hallaré para no seguirlos

está bien no jugaré al desahucio
no tatuaré el recuerdo con olvidos
mucho queda por decir y callar
y también quedan uvas para llenar la boca

está bien me doy por persuadido
que la alegría no tire más piedritas
abriré la ventana...
abriré la ventana...

E tudo muda, adeus velho mundo...

Essa última semana já mostrou que esse ano não será uma brincadeira... Um azougue, mas sem dúvida em grande parte de coisas boas. Quase não respiro entre mestrado, apostolado e amigos. Mal pisco e são trinta páginas para estudar e participar das aulas. Revi gente que não vejo há anos e recordei travessuras de moleca. Como adulta, me obriguei a abrir mão nominalmente de uma amizade de toda uma vida por compreender que tudo muda: afinidades, sentimentos, amigos em comum, visões de futuro. Derramei algumas lágrimas de tristeza, outras de alívio, mas neste Domingo de Páscoa foram todas de esperança, por mim, por minha família e parentes amados, e por amigos que estão lutando tanto para dar adeus ao velho mundo de nossas vidas e vivermos mais felizes, como homens e mulheres novos... E de preferência, com muito bom humor e sem nos perdermos pelo caminho...
 
Alguém tem uma bússola aí para emprestar?!?
 

Uma escapada no fim de semana...

"A cidade há de seguir-te... As ruas por onde andares ainda serão as mesmas... Os mesmos bairros, os andares das casas irão encanecer os teus cabelos... A esta cidade sempre chegarás... Os teus anelos são vãos de para outra encontrar, um barco ou um caminho... A vida, pois, que dissipaste aqui, neste cantinho do mundo, no mundo inteiro é que a foste dissipar..."

(Konstantino Kaváfis)

 

Beach Petals Art Print by Marcia Joy Duggan


As fotografias de minha estante...

Toda vez que troco as fotografias "me bate" uma melancolia danada... Saudades da avó que partiu, das férias de anos atrás, dos risos aos quinze anos fingindo já ser mulher, de amigos que raramente vejo e que a internet alivia em longas ou breves mensagens, daquele que amo tanto na distância, dos dias laboriosos vestida numa espécie adaptada de "Clóvis", entre todas as outras doces ou agridoces recordações. Logo terei novas fotografias, afinal quero registrar o rito de passagem para o mestrado, o emagrecimento - que continua, um pouco mais lento - e os novos amigos. Gostaria de ser fotógrafa para registrar tudo que me vai à alma.
 
O ato de se tirar poeiras, limpar porta-retratos deve ser algo medicinal, pois entre risos e lágrimas, saímos sempre um pouco mais fortes, um pouco mais abertos a replanejar o futuro tomando o passado como base para algo muito melhor do que o presente. Me perguntaram, ainda há pouco tempo atrás, como se pode amar as pessoas na distância e lhes respondi que não há distância quando trago os amados dentro de mim. E essa é minha mensagem para o Domingo de Ramos: deixar a pessoa velha para trás e ser uma pessoa nova na riqueza do verdadeiro amor, que somente é verdadeiro se a três, com Cristo e para Ele.
 
 

Dentro de cada pessoa
Tem um cantinho escondido
Decorado de saudade

Um lugar pro coração pousar
Um endereço que freqüente sem morar
Ali na esquina do sonho com a razão
No centro do peito, no largo da ilusão

Coração não tem barreira, não
Desce a ladeira, perde o freio devagar
Eu quero ver cachoeira desabar
Montanha, roleta russa, felicidade
Posso me perder pela cidade
Fazer o circo pegar fogo de verdade
Mas tenho meu canto cativo pra voltar

Eu posso até mudar
Mas onde quer que eu vá
O meu cantinho há de ir

Dentro...

(Cantinho escondido - Marisa Monte)

Hyde Park, London Art Print by J.A. Hampton

IUPIIIIIIIIII!!!!!

 

São Josemaría Escrivá, sempre tão objetivo...

 
Faz o que deves e está no que fazes
 
Fazei tudo por Amor. Assim não há coisas pequenas: tudo é grande. A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo. (Caminho, 813)

Queres de verdade ser santo? Cumpre o pequeno dever de cada momento; faz o que deves e está no que fazes. (Caminho, 815)

A santidade “grande” está em cumprir os “deveres pequenos” de cada instante. (Caminho, 817)

Dizes-me: "Quando se apresentar a ocasião de fazer algo de grande... então, sim!". Será? Pretendes fazer-me acreditar, e acreditar tu seriamente, que poderás vencer na Olimpíada sobrenatural sem a preparação diária, sem treino? (Caminho, 822)

Viste como levantaram aquele edifício de grandeza imponente? Um tijolo, e outro. Milhares. Mas, um a um. E sacos de cimento, um a um. E blocos de pedra, que são bem pouco ante a mole do conjunto. E pedaços de ferro. E operários trabalhando, dia após dia, as mesmas horas... Viste como levantaram aquele edifício de grandeza imponente?... À força de pequenas coisas!
(Caminho, 823)

Não tens reparado em que “ninharias” está o amor humano? Pois também em “ninharias” está o Amor divino. (Caminho, 824)

Até que enfim realizarei um sonho acalentado com tanto zelo...

Mestrado... Para alguns a visão de um suplício, mas para mim, a realização de um sonho acalentado por doze anos. Sonho embalado com amor e renúncias, moldado na busca por um aperfeiçoamento profissional e principalmente, pessoal. Nem começou de fato, só ali na esquina da próxima segunda-feira, mas recebo tantos mimos que até me belisco para ver se é tudo verdade. E estou tão feliz com isso que me sinto renovada com um coração cheio de novas esperanças... Deus sabe bem o que faz...
 
Dolce far niente, by John William Godward
 
 

Sob outra influência: Ricardo Reis...

 
Nada Fica    
 
Nada fica de nada.  Nada somos.

Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos

Da irrespirável treva que nos pese

Da humilde terra imposta,

Cadáveres adiados que procriam.

Leis feitas, estátuas vistas, odes findas —

Tudo tem cova sua.  Se nós, carnes

A que um íntimo sol dá sangue, temos

Poente, por que não elas?

Somos contos contando contos, nada.

 

 

Ninguém a outro ama

Ninguém a outro ama, senão que ama 
O que de si há nele, ou é suposto. 
Nada te pese que não te amem. Sentem-te 
Quem és, e és estrangeiro. 
Cura de ser quem és, amam-te ou nunca. 
Firme contigo, sofrerás avaro  

De penas.

 

 

O que sentimos

O que sentimos, não o que é sentido, 
É o que temos. 
Claro, o inverno triste 
Como à sorte o acolhamos. 
Haja inverno na terra, não na mente. 
E, amor a amor, ou livro a livro, amemos 
    Nossa caveira breve. 

 

 

Quanto faças

Quanto faças, supremamente faze. 
Mais vale, se a memória é quanto temos, 
Lembrar muito que pouco. 
E se o muito no pouco te é possível, 
Mais ampla liberdade de lembrança 
Te tornará teu dono.

 

 

 

La otra copa del brindis...

Por Mario Benedetti

Al principio ella fue una serena conflagración
un rostro que no fingía ni siquiera su belleza
unas manos que de a poco inventaban un lenguaje
una piel memorable y convicta
una mirada limpia sin traiciones
una voz que caldeaba la risa
unos labios nupciales
un brindis

es increíble pero a pesar de todo
él tuvo tiempo para decirse
qué sencillo y también
no importa que el futuro 
sea una oscura maleza

la manera tan poco suntuaria
que escogieron sus mutuas tentaciones
fue un estupor alegre
sin culpa ni disculpa
él se sintió optimista 
nutrido 
renovado
tan lejos del sollozo y la nostalgia
tan cómodo en su sangre y en la de ella
tan vivo sobre el vértice de musgo
tan hallado en la espera
que después del amor salió a la noche
sin luna y no importaba
sin gente y no importaba
sin dios y no importaba
a desmontar la anécdota
a componer la euforia
a recoger su parte del botín

mas su mitad de amor 
se negó a ser mitad
y de pronto él sintió
que sin ella sus brazos estaban tan vacíos
que sin ella sus ojos no tenían qué mirar
que sin ella su cuerpo de ningún modo era 
la otra copa del brindis

y de nuevo se dijo
qué sencillo 
pero ahora
lamentó que el futuro fuera oscura maleza

sólo entonces pensó en ella 
eligiéndola
y sin dolor sin desesperaciones
sin angustia y sin miedo
dócilmente empezó 
como otras noches 
a necesitarla.

Quintana, às vezes, fala à minha alma...

 

"A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.

 

Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor...Não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.

 

Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

 

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum.

 

Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

 

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.

 

Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá d entro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.

 

Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.

 

Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade."

 

(Mário Quintana)

 

 

 

Perhaps love is like a resting place, a shelter from the storm

It exists to give you comfort, it is there to keep you warm

And in those times of trouble when you are most alone

The memory of love will bring you home

 

Perhaps love is like a window, perhaps an open door

It invites you to come closer, it wants to show you more

And even if you lose yourself and don't know what to do

The memory of love will see you through

 

Oh love to some is like a cloud, to some as strong as steel

For some a way of living, for some a way to feel

And some say love is holding on and some say letting go

And some say love is everything, and some say they don't know

 

Perhaps love is like the ocean, full of conflict, full of pain

Like a fire when it's cold outside, thunder when it rains

If i should live forever, and all my dreams come true

My memories of love will be of you

 

Some say love is holding on and some say letting go

And some say love is everything and some say they don't know

 

Perhaps love is like the ocean, full of conflict, full of pain

Like a fire when it's cold outside, thunder when it rains

If i should live forever, and all my dreams come true

My memories of love will be of you

 

 

 

 

À sua maneira ou seria De música ligera?

Ouvindo hoje o Capital Inicial durante mais um faxinão, lembrei de dois shows distintos deles que assisti e das diferenças entre ambos. Um energia pura, outro água na fervura. Daí recordei que não basta ser bom o artista se o público não lhe corresponde na mesma intensidade. Remoendo isso, "caiu a ficha" e percebi que a máxima é válida para quase tudo na vida. Daqui a alguns dias minhas aulas no mestrado se iniciam e não posso responder com apatia, medo ou indiferença, pois os que ali dividem, não esperam que quem recebe aja passivamente como um expectador entediado. Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Como a múscia do Soda Stereo, infinitamente mais bonita, que virou "À sua maneira" pelo Capital Inicial.
 
E é assim que me sinto nesses negros dias em que a vida é banalizada de tal forma em que tartarugas e cães valem mais que homens. Há momentos em que desejaria me separar das vãs divagações que norteiam as conversas atuais e me perder no amor... Pena que amor por amar não enche barriga, não move moinhos. Se faz necessária uma dedicação transformadora diária, uma valorização de almas, que a maioria de nós já se esqueceu... Ou não se interessa mais por esse tipo de coisa, já que hoje as pessoas se devoram num fast-food de corpos e horas. Falta delicadeza e sutileza para apreciar os detalhes diários, as lembranças mínimas, os perfumes exalados, os risos roubados.
 
 
The Rose Art Print
 
Bonita rosa, não? Observem-na com cuidado. Totalmente falsa... Como promessas de amor ao vento, esta rosa é de plástico e tecido simetricamente dispostos para criar ilusão aos olhos apressados que não enxergam além das belas aparências. Qual a vantagem? É simples! A ilusão não murchará... E não gasta adubo, nem tempo...
 
Como eu sempre digo: Ces't la vie!!!

No verte...

Um dia y outro dia y outro dia...

                                                        No verte.

Poderte ver, saber que andas tan cerca,

que es probable el milagro de la suerte.

                                                        No verte.

Y el corazón y el cálculo y la brújula,

fracasando los três. No hay quien te acierta.

                                                        No verte.

Miércoles, jueves, viernes, no encontrarte,

no respirar, no ser, no merecerte.

                                                        No verte.

Desesperadamente amar, amarte

y volver a nacer para quererte.

                                                        No verte.

Sí, nacer cada día. Todo és nuevo.

Nueva eres tu, mi vida; tu, mi muerte.

                                                        No verte.

Andar a tientas (y era meiodía)

Com temor infinito de romperte.

                                                        No verte.

Oír tu voz, oler tu aroma, sueños,

Ay, espejismos que el desierto invierte.

                                                        No verte.

Pensar que tu me huyes, me deseas,

Querrías encontrarte em mi, perderte.

                                                        No verte.

Dos barcos em la mar, ciegas las velas.

¿Se besarán mañana sus estelas?

 

 

(Gerardo Diego)

 

 

Windy Day Art Print by Mastrangelo 

 

"Martírio” Diário, Entrega Total e Fortaleza.

Pôr a meta da nossa vida em seguir o Senhor de perto e progredir sempre nesse seguimento já requer fortaleza, porque a imitação de Jesus Cristo nunca foi uma tarefa cômoda; é um ideal alegre, extremamente alegre, mas sacrificado. E depois da primeira decisão, vem a de cada momento, a de cada dia. O cristão deve ser forte para empreender o caminho da santidade e para reempreendê-lo a cada uma das suas etapas, para perseverar sem amolecer, apesar de todos os obstáculos externos e internos que possam apresentar-se.

Necessitamos de fortaleza para ser fiéis nas pequenas coisas de cada dia, que são, em última análise, as que nos aproximam ou nos afastam de Deus. Essa atitude de firmeza manifesta-se no trabalho, na vida familiar, perante a dor e a doença, diante dos possíveis desânimos que tirariam a paz se não houvesse um esforço decidido por superá-los, apoiados sempre na consideração de que Deus é nosso Pai e permanece junto de cada um dos seus filhos.

Precisamos da virtude da fortaleza para evitar que nos extraviemos, para deixar de lado as bugigangas da terra, não permitindo que o coração se apegue a elas. Muitos cristãos parecem ter esquecido que Cristo é verdadeiramente o tesouro escondido, a pérola preciosa, por cuja posse vale a pena não encher o coração de bens minúsculos e relativos, pois “quem conhece as riquezas de Cristo Nosso Senhor, despreza por elas todas as coisas; para esse homem, as posses, as riquezas e as honras são como lixo. Porque não há nada que se possa comparar àquele supremo tesouro, nem que se possa trazer à sua presença”. Para estarmos realmente desprendidos dos bens que devemos utilizar e não os convertermos em fins, devemos ser fortes.

A virtude da fortaleza leva-nos também a ser pacientes perante os acontecimentos e notícias desagradáveis e perante os obstáculos que se apresentam todos os dias. Não é próprio de um cristão que vive na presença de seu Pai-Deus, andar com um aspecto azedo, mal-humorado ou triste por causa de uma espera que se prolonga, de uns planos que tem de mudar à última hora, ou de um pequeno (ou grande) fracasso.

A paciência leva-nos a ser compreensivos com os outros, quando parece que não melhoram ou não põem todo o interesse em corrigir-se, e a tratá-los sempre com caridade, com apreço humano e sentido sobrenatural. Quem tem ao seu cuidado a formação de outras pessoas (pais, mestres, superiores…) necessita particularmente desta virtude, porque “governar, muitas vezes, consiste em saber «ir puxando» pelas pessoas, com paciência e carinho”.

Para fazermos o nosso exame nesta matéria, há de servir-nos de muito este conselho: “Nas relações com os que te cercam, tens de conduzir-te cada dia com muita compreensão, com muito carinho, juntamente - é claro - com toda a energia necessária: de outro modo, a compreensão e o carinho se convertem em cumplicidade e egoísmo”. A caridade nunca é fraqueza, e a fortaleza, por sua vez, não deve supor uma atitude irritada, áspera e mal-humorada.

Em comparação com todos os fiéis que compõem a Igreja, são poucos aqueles a quem o Senhor pede um testemunho de fé mediante o derramamento de sangue, mas a ninguém deixa Ele de pedir a entrega da vida, pouco a pouco, com um heroísmo escondido, no cumprimento do dever, na luta por uma maior coerência com a fé cristã, exteriorizada mediante um exemplo que arraste e estimule.

Não basta viver interiormente a doutrina de Cristo: seria falsa uma fé que não tivesse manifestações externas. Os cristãos não podem dar a impressão - pela sua passividade ou por não quererem comprometer-se - de que não encaram a sua fé como o valor mais importante da sua vida ou de que não consideram os ensinamentos da Igreja como um elemento vital da sua conduta. “O Senhor necessita de almas fortes e audazes, que não pactuem com a mediocridade e penetrem com passo firme em todos os ambientes”.

E existem épocas em que pode haver graves razões de caridade para confortarmos com o testemunho da nossa fé os que andam vacilantes: mediante uma confissão decidida e sem complexos como a de João Batista, que arraste e mova.

A honra de Deus está acima das conveniências pessoais. Não podemos permanecer passivos quando se quer colocar Deus entre parêntesis na vida pública, ou quando homens sectários pretendem confiná-lo no fundo das consciências. Não podemos estar calados quando há tantas pessoas ao nosso lado que nos olham à espera de um testemunho coerente com a fé que professamos.

Este testemunho consistirá umas vezes na exemplaridade ao longo das muitas horas de trabalho profissional, na caridade e na compreensão com todos, na alegria que revela aos demais homens uma paz nascida do relacionamento com Deus… Outras, estará na defesa serena e firme do Sumo Pontífice ou da hierarquia da Igreja, na refutação de uma doutrina errônea ou confusa… Sempre com serenidade e sem destemperos - que não fazem bem e não são próprios de um cristão -, mas com firmeza.

Fonte: Falar com Deus

 Sometimes God Calms Art Print by Karen Tribett

O desejo sob uma sutil ótica feminina...

 

As Vestes

 

Enfrentei furacões com meus vestidos claros

Quem me vê por aí com esses vestidos estampados

Não imagina as grades, os muros,

O chão de cimento que eles tornaram leves

Não se imagina a escuridão

Que estes vestidos cobrem

E dentro desta escuridão, os incêndios que retornam

Cada vez que me dispo,

Cada vez que a nudez me liberta dos seus laços.

 

 

Dandara

 

Eu só acreditava em Drummond:

“o amor chega tarde”

Não conhecia o amor que fulgura sem aviso,

Esse que se sabe proibido,

O amor que já se sabe perdido desde o início.

Eu não acreditava no impossível

Vinha tão sóbria, tão cheia de medidas,

Não conhecia o esplendor da queda,

Nem a violência dos abismos.

 

 

Poema do Lobo do Mar

 

Como proteger-me desse lobo que vem vindo,

Em que ilhas poderei me ocultar?

Em que barcos ousarei fugir

Desse lobo que domina os barcos e as ilhas?

Reúno roupas negras, faca, escudo

De que adianta enfrentá-lo do meu jeito,

Se ele me despe do jeito que ele quer?

Como proteger-me destas ondas

De prazer que ele traz em suas brisas?

De que vale me lançar ao mar?

Se não há como esconder-me de mim mesma,

Do exílio que sinto quando fujo

Da vontade que tenho de ficar...

 

 

(Iracema Macedo)

 

 

z z z z z z z

 

Couple Relaxing on Bank of Seine Near Notre Dame Cathedral During Lunch Hour Photographic Print by Alfred Eisenstaedt

 

z z z z z z z

 

 

Venha a mim e seja qualquer coisa incerta

 

Venha a mim e seja qualquer coisa incerta,

Uma pedra no escuro,

A rigidez e a forma dando vida

Ao que está latente, permanecendo em absoluto

Uma pedra é uma pedra a todo instante

E a noite, que será sempre uma longa espera

Desejará ardente um amor sombrio e indolente

Venha a mim e seja qualquer coisa incerta,

Que se cumpra simplesmente.

 

 

É assim que ele me ama

 

É assim que ele me ama,

Fingindo não saber onde começo,

Onde termino,

Então, quando se aproxima

Procura, cheira, morde, suspira

E abre todos os meus poros

Me dá todo o suor,

Me oferece todas os perfumes,

Procura só aquilo que existe.

A minha alma é extenuada

E as palavras que me diz são qualquer coisa como,

Inexaurível,

Inimaginável,

Inesgotável.

Se aproxima, se afasta, se aproxima, se cala.

O meu mundo é dentro, é fora de órbita

E tudo é absolutamente submetido à sua paz

Não há nada de explicável

Me perco, se perde

Em belíssimas, estultas, malditas palavras.

 

 

O que mais amo no seu olhar

 

O que mais amo no seu olhar

É quanto tem de solidão e distância

Não é aquilo que vê,

Nem o que procura,

Mas o que oferece inerte quando me escuta.

Neste instante, não existe ar que nos atravesse.

Você não sabe, mas é assim que penetra no meu vale escuro

Onde não há sol,

Onde não há pastores,

E ilumina e banha todos os meus campos.

 

 (Solange Menegale)

Frescas palavras numa noite escaldante de verão...

    Ainda amo-te muitíssimo, mas é como na parábola do semeador: este amor só encontra rochas, solo estéril ou "aves" que o roubam de ti pelo caminho... Será que em algum momento encontrará solo fértil para florescer?!? Que gosto tolo é esse o nosso?!?

     

    Coração silencioso

    Eu nunca havia sentido um coração silencioso.
    Há um coração protegido,
    com medo de se entregar.
    Um coração silencioso, que não quer falar
    fazendo companhia aos braços que não tem quem abraçar.
    Um coração silencioso que derrama lágrimas de saudade e sofre por não poder falar.
    Ele quer dizer o quanto ele ama
    mas não há quem queira ouví-lo.
    É um coração silencioso que chora o amor infinito.
    Ele não pode segurar todo o amor que ele tem.
    É um coração que quer sorrir,
    dividir toda a esperança
    com um coração que veja a beleza das flores,
    que sinta a magia do amor,
    que saiba apreciar o canto dos pássaros,
    que cante, no encanto de sua existência,
    toda a plenitude do amor. 
     

    (Andrea Paula Pereira da Silva)


    A hora do cansaço

    As coisas que amamos,
    as pessoas que amamos
    são eternas até certo ponto.
    Duram o infinito variável
    no limite de nosso poder
    de respirar a eternidade.

    Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
    dar-lhes moldura de granito.
    De outra matéria se tornam, absoluta,
    numa outra (maior) realidade.

    Começam a esmaecer quando nos cansamos,
    e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário,
    de aspirar a resina do eterno.
    Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
    Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
    rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

    Do sonho de eterno fica esse gozo acre
    na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.

    (Carlos Drummond de Andrade)


    Saudades
    
    Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
    Se o nosso sonho foi tão alto e forte
    Que bem pensara vê-lo até à morte
    Deslumbrar-me de luz o coração!
    
    Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
    Que tudo isso, Amor, nos não importe.
    Se ele deixou beleza que conforte
    Deve-nos ser sagrado como pão!
    
    Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
    Para mais doidamente me lembrar,
    Mais doidamente me lembrar de ti!
    
    E quem dera que fosse sempre assim:
    Quanto menos quisesse recordar
    Mais a saudade andasse presa a mim!
    
              
     (Florbela Espanca)
     
    Starry Night, c.1889 Art Print by Vincent van Gogh
    

O verdadeiro amor...

Por Rafael Vitola Brodbeck

 

Confundem os modernos amar com ser amado. E nas novas concepções de amor expulsam os tradicionais e sábios termos e definições que a pedagogia católica nos forneceu sobre tão nobre sentimento.

Resgatando o romantismo – e o tomo no sentido filosófico e cultural –, realçam a emoção, desconfiando da razão estar intrometida nos assuntos amorosos. Ora, esquecem os postulantes dessa tese que o amor é, antes de tudo, um ato da vontade. Ama-se não por uma cegueira emocional, mas porque se quer amar. Ninguém ama o que não quer, o que não lhe atrai, de modo que a frase de que o amor é cego torna-se uma falácia. Quem ousa proferi-la ou não sabe o que é realmente o amor, ou o converteu em emocionalismo adolescente, pueril.     

Longe de nós definirmos o amor com conceitos frios... Entretanto, não podemos esquecer que a fim do homem, a felicidade, está em ordenar suas potências, e ele o faz ao submeter os sentidos à vontade, e esta à razão, iluminada pela graça de Deus. O amor, meio do homem ser feliz e mesmo confundindo-se sadiamente com a própria felicidade, só é verdadeiro quando afastamos as concepções que o “libertam” da razão.

As emoções nunca podem ser o critério para a maturidade do amor. Começa este com uma escolha por parte do amante quanto ao amado. Desenvolve-se com o descobrimento do outro, o que confirma a primeira opção ou o convence de que a futura união não é um bom caminho. O papel da emoção, no processo amoroso, é justamente estar a serviço da razão, eis que esta é que nos fornecerá o julgamento adequado quanto ao amor – porque devo amar, como devo amar...

Amor, vemos, é uma decisão! Se Cristo nos mandou amar os inimigos, é porque temos de nos decidir a amá-los. E como amar e “sentir amor” são coisas diferentes, não somos obrigados a gostar de todos e a externar proposições românticas para qualquer pessoa. Não! O mandamento do amor é a máxima prova do conceito que tem Jesus desse sentimento: amar é desejar o bem do outro. Amamos nossos inimigos quando, a despeito de nossas diferenças quanto a eles, desejamos, sinceramente, o seu bem – mesmo que um bem a desejar para um assassino seja sua justa punição. Só se deseja o bem com a razão e não com as faculdades inferiores de uma emoção inconstante. Só a inteligência é constante!

No amor entre amigos, máximo no amor conjugal, a decisão de amar ocupa papel central, ainda que possa ser imperceptível por operação inconsciente que o seja. Mal ou bem, escolhemos estar com a pessoa amada. E a todo instante estamos fazendo novas escolhas – seja elegendo a continuidade da relação, seja rechaçando-a. Se elas forem feitas com critérios meramente emocionais, a inconstância as dominará: bastará acordarmos de mau humor ou sentir uma atração física passageira por outrem para resolvermos terminar tudo o que a razão recomendaria que permanecesse.

Não vejo nada de frio nesse conceito de amor... Pelo contrário, lembro que cada vez que digo a minha amada que a amo, não o faço por “cegueira” ou por um sopro das inconstantes emoções. Quando digo que a amo, amo-a com meu ser completo. Na prática, é como se lhe dissesse que o maior ato de inteligência que tive foi o de escolhê-la. E isso não poderia ser feito se minha escolha fosse um ato puramente emocional.

Com a razão coordenando as emoções, e tudo sob o influxo da graça de Deus, minhas decisões podem ser mais constantes, e, por isso, também meu amor. Quem se sente amado por mim, logo, sabe que, ao dizer que a amo com minha inteligência, deve estar extremamente lisonjeado!

O que é melhor: dizer para uma pessoa que seu sentimento por ela é o resultado de uma emoção passageira (e que ela nem sabe ao certo o porquê de amá-la, que é “obrigado” a amá-la), ou que é resultado de um ato livre, deliberado, intelectual? Estou com a segunda opção... É o ensino de Santo Tomás e dos maiores conhecedores da alma humana! É o recado de Bento XVI na Deus Caritas Est!

 

Fonte: http://ultramontano.blogspot.com/2006/06/o-verdadeiro-amor_

Kindness Poster

Palavras certas na hora certa... Por São Josemaría Escrivá...

 
 
Minha filha, o Senhor conta com a tua ajuda
 
Minha filha, a ti que formaste um lar, gosto de recordar-te que as mulheres - bem o sabes! - têm muita fortaleza, uma fortaleza que sabem envolver numa doçura especial, para que não se note. E, com essa fortaleza, podem fazer do marido e dos filhos instrumentos de Deus ou diabos. Tu os farás sempre instrumentos de Deus: o Senhor conta com a tua ajuda. (Forja, 690)

A mulher está destinada a levar à família, à sociedade, à Igreja, algo de característico, que lhe é próprio e que só ela pode dar: sua delicada ternura, sua generosidade incansável, seu amor pelo concreto, sua agudeza de engenho, sua capacidade de intuição, sua piedade profunda e simples, sua tenacidade... A feminilidade não é autêntica se não reconhece a formosura dessa contribuição insubstituível, e se não a insere na própria vida.

Para cumprir essa missão, a mulher tem de desenvolver sua própria personalidade, sem se deixar levar por um ingênuo espírito de imitação que — em geral — a situaria facilmente num plano de inferioridade, impedindo-lhe a realização das suas possibilidades mais originais. Se se forma bem, com autonomia pessoal, com autenticidade, realizará eficazmente o seu trabalho, a missão para que se sente chamada, seja qual for: sua vida e trabalho serão realmente construtivos e fecundos, cheios de sentido, quer passe o dia dedicada ao marido e aos filhos, quer se entregue plenamente a outras tarefas, se renunciou ao casamento por alguma razão nobre.
 
Cada uma em seu próprio caminho, sendo fiel à vocação humana e divina, pode realizar e realiza de fato a plenitude da personalidade feminina. Não esqueçamos que Santa Maria, Mãe de Deus e Mãe dos homens, é não apenas um modelo, mas também prova do valor transcendente que pode alcançar uma vida aparentemente sem relevo. (Questões Atuais do Cristianismo, 87)

Se a mulher dispõe da preparação adequada, deve ter a possibilidade de encontrar aberto o caminho da vida pública, em todos os níveis. Neste sentido, não se podem apontar umas tarefas específicas que sejam da competência exclusiva da mulher. Conforme disse antes, neste terreno o específico não é dado tanto pela tarefa ou pelo posto, como pelo modo de realizar essa função, pelos matizes que a condição de mulher encontrará para a solução dos problemas a enfrentar, e inclusive pela própria descoberta e equacionamento desses problemas. (Questões Atuais do Cristianismo, 90)
 
 
Beach Stroll Art Print
 

É muito difícil ser mulher hoje em dia, não apenas pela carga emocional que trazemos, mas também por termos que na maioria das vezes ir além de nossas necessidades para embalarmos as de outras pessoas que ainda não amadureceram o suficente para entender o que é uma família, um amor, uma amizade ou até mesmo uma relação profissional. Digo isto porque o texto acima me fez refletir nos papéis que desempenhamos na sociedade. Todas nós somos cobradas desde a tenra infância a darmos certo. Tampouco busco colocar a mulher como um ser extremamente virtuoso e sem máculas. Não! Pelo contrário. Como o texto mesmo afirma podemos ser tanto instrumentos do amor de Deus como dos diabos. Entretanto poucas são as mulheres que apreciam o Mal pelo Mal.
 
A sociedade hoje se enfraquece no medo em debater a fundo por que as relações entre casais não dão certo. Sexo? Salário? Ambição pessoal? Traição? Relações de dominação? Tudo é expresso: ou isto ou aquilo. Não se quer mergulhar a fundo para que haja um debate realmente sadio que possa curar feridas e reconstruir relações. O tempo urge, o descartável é mais prático, e antes o umbigo de um do que o do outro.
 
E se o outro reclamar, corre o risco de ser adjetivado numa riqueza sem fim... Aliás, uma característica corriqueira é a acusação de intolerância ao que busca o diálogo e que expressa suas insatisfações, como se acusadores não exercessem intolerância em suas recusas ao diálogo. Como sermos mulheres e homens assim? Como descobrirmos nosso real papel (ou vocação) nesta história e exercê-lo da melhor forma possível? Sem valorizarmos o que pensamos, sentimos e agimos, numa atitude orientada ao melhor para todos - no sentido do ganha-ganha, em que as necessidades de todos são satisfeitas - jamais descobriremos a resposta. Só mesmo com muita oração... E atos concretos.
 
Como costumo dizer: "Amor sem lastro não é amor...". O lastro que damos à nossa vida é o que define nossa capacidade de vivê-la amorosamente. Ou não.
 

Um pouco das tolices humanas sobre a Beleza...

Tenho refletido muito sobre o valor social da mulher quando o assunto é padrões de estética e cada vez mais sinto que entrei num tortuoso labirinto. Ao mesmo tempo em que reflito porque engoli algumas emoções, permitindo um ganho de peso que me priva de certos prazeres, vejo que as pessoas estão condicionadas a "pesar" (trocadilho infame) o valor de cada uma segundo as imagens de seus corpos. Esta pesagem omite valores que a primeira impressão não detecta e acaba por rotular os avaliados segundo classes que longe de proporcionar o Belo ou o Melhor, mascaram os desvios de percepção de quem avalia.
 
Hoje mesmo li uma reportagem numa revista de estética onde a grande sensação era uma nova técnica complementar às cirurgias bariátricas. Me perguntarão o que há de extraordinário nisto? Explico. Numa cirurgia bariátrica você tem uma parte de seu estômago retirado e o que sobra é unido ao intestino, ou partes do mesmo recebe um instrumento que reduz o volume, permitindo uma absorção menor de alimentos e levando ao emagrecimento supersônico. Há aqueles que mesmo após esta cirurgia, em alguns anos depois, voltam a engordar e daí bate o desespero: "Já operei, então o que farei agora?"
 
Aí entra esta nova técnica, que realmente traz alívio aos pacientes ao grampear com polipropileno abas dos estômagos, mas que ganhou minha antipatia ao reconhecer que as revistas de estética - longe de apoiarem o ser humano em seu processo de reeducação alimentar sem o uso de remédios ou intervenções cirúrgicas - promovem as últimas como a grande revolução estética. Se já não bastassem os bombardeios diários de deformam nosso respeito com os outros - afinal obesos e afins são quase cidadãos de terceira categoria, já que mal caratismo aliado à beleza é fortemente tolerado em nossa sociedade - não há um movimento sério para a reeducação alimentar de homens, mulheres e crianças, visando a manutenção da saúde e o prolongamento do tempo de vida. O que vale é o lucro máximo no meio de um caos emocional e social perpetuado pela atividade fim.
 
Vocês não acreditam realmente que as pesquisas cujos resultados mais estapafúrdios são divulgados por aí são realmente informativas, não? Servem apenas para alimentar a sensação de inadequação atrelada aos padrões de estética, alimentar a indústria farmacêutica e cosmética, para justificar uma moda criada por uns 10% que em nada glorificam a humanidade e querem mais é que você se comporte como gado e utilize seus "Tetrapacks" sob a ilusão que são melhores por isso.
 
Não sou contra os tratamentos médicos e cosmeátricos, ou o estudo sobre como o homem se veste ao longo da história da Humanidade. Sou contra esta estratégia "burrificante" que nos coloca antolhos para realmente encararmos as nossas relações humanas com suas dores e delícias. Nosso corpo não é algo descartável; ele reflete alguns estados da alma e sinaliza - se desejamos ver estes sinais - o que deve ser mudado em busca de nossa felicidade. Só não podemos esquecer que a felicidade não se conquista isoladamente, ainda que possamos viver bem conosco numa rica vida interior. 
 
A felicidade, para ser mesmo felicidade, é compartilhada. Não aceite que se relacionem com você através de rótulos embebidos em preconceitos diversos. Você descobrirá que vale muitíssimo mais do que estas pessoas são capazes de compreender, ou viver. E que você já possui uma grande vantagem: você se assume como é e sem disfarces.
 
Kiss Art Print by Ashley David

Amor adestrado?

“[...] Novidades são um estímulo fabuloso ao sistema de recompensa, sobretudo se voluntárias e seguras

A notícia, anunciada há duas semanas, era digna de comemoração: segundo estudo recente, o sistema de recompensa do cérebro pode continuar respondendo à visão da pessoa amada durante décadas com a mesma euforia e empolgação dos casais recém-apaixonados.

A novidade rendeu reportagens em revistas, televisão e internet, e até uma coluna aqui, onde cometi (aparentemente) a imprudência de me comprometer a voltar ao assunto nessa semana com dicas sobre como alimentar a chama cerebral da paixão de modo que ela dure décadas a fio.

Seria imprudência, de fato, dar dicas com base em experiência própria, o que não posso fazer: embora o prognóstico seja favorável e eu siga muito apaixonada, obrigada, meu casamento tem apenas três anos de história. Já é suficiente para contrariar a visão popular de que a paixão tem cerca de 18 meses de prazo de validade -mas é pouco para dar conselhos.

A neurociência, no entanto, é uma jovem senhora de mais de 150 anos de experiência e com vários conselhos para dar. Se ela hoje sabe que a paixão é um estado particular de intensa ativação do sistema de recompensa associada à visão, presença ou mera ideia da pessoa amada, então manter a paixão consiste em... manter a associação entre a tal pessoa e a ativação do sistema de recompensa. Ou seja: associar prazer ao amor.

Como o sistema de recompensa é o conjunto de estruturas que sinalizam ao resto do cérebro quando algo interessante acontece ou tem grandes chances de acontecer, causando prazer e satisfação, todo tipo de prazer associado à pessoa amada ajuda a manter acesa a chama cerebral da paixão: carinho, sexo, humor, atenção, apoio, conversas estimulantes, atividades intelectuais, cinema, hobbies - e novidades.

Novidades, por definição, são um estímulo fabuloso ao sistema de recompensa, sobretudo se voluntárias e seguras. Viajar juntos a um destino novo é tudo de bom: se novas camas, restaurantes, paisagens e experiências fazem bem ao sistema de recompensa de ambos os amantes simultaneamente, o cérebro de cada um associa o novo prazer à presença do outro.

E, assim, de novidade em novidade, de um prazer a outro novo prazer, o sistema de recompensa pode passar décadas, se não uma vida toda, achando que aquela pessoa em especial é particularmente desejável e excitante, pois coisas fabulosas acontecem quando se está com ela.

Se funciona? Vários casais antigos me garantem que sim. Pergunte-me daqui a uns dez anos...

Suzana Herculano-Houzel, neurocientista, é professora da UFRJ e autora do livro "Fique de Bem com o Seu Cérebro" (ed. Sextante) e do site "O Cérebro Nosso de Cada Dia" (http://www.cerebronosso.bio.br). Artigo publicado na “Folha de SP” em 22.01.09.

Mensagens instantâneas podem revelar como anda a saúde da relação amorosa

RIO - As palavras usadas nas mensagens instantâneas, nos emails  e nos SMS podem revelar muito sobre o nível de satisfação feminina em um relacionamento amoroso, dizem psicólogos. Quanto mais frequente o uso do pronome "eu" e de verbos na primeira pessoa do singular, maior a probabilidade de a mulher estar feliz com seu parceiro atual. A pesquisa, feita pelo psicólogo Richard Slatcher, da Universidade de Los Angeles (UCLA), na Califórnia, foi publicada na revista especializada "Personal Relationships" deste mês e divulgada no site da UCLA.

"Mensagens instantâneas podem ser uma ótima maneira de perceber como as pessoas se comunicam com as outras no cotidiano", escreveu Slatcher.

Durante dez dias, os pesquisadores analisaram centenas de mensagens de texto de 70 casais americanos que estavam juntos, em média, há um ano e meio. Todos os participantes tinham até 30 anos. Além das mensagens, os psicólogos também avaliaram questionários respondidos pelos participantes com informações sobre sexo, amor e bem-estar.

Depois de seis meses, Slatcher e sua equipe voltaram a avaliar os casais para ver quais ainda estavam juntos. Entre os casais avaliados, 40% terminaram a relação neste período. Segundo o resultado da pesquisa, casais que tinham os relacionamentos mais estáveis eram aqueles que usavam  "eu" até 20 vezes mais do que "nós" em suas mensagens, e escreviam mais palavras positivas do que negativas para expressar suas emoções.

“Percebemos que pessoas que usam palavras como 'ótimo', 'amor' e 'feliz', tendem a ficar mais satisfeitas com o parceiro por um período maior” - afirma Slatcher.

Para o psicólogo, mulheres que se sentem confortáveis mandando mensagens de texto também têm mais coragem de se abrir com o parceiro, evitando assim o acúmulo de sentimentos negativos que podem minar a relação. Além disso, por serem curtas, as mensagens instantâneas também ajudam a eliminar o hábito feminino de "falar sem dizer nada", acredita Slatcher.

Percebemos também que mulheres que usam mais "eu" do que "nós" preservam mais sua individualidade e não são tão dependentes do parceiro, um importante fator na boa saúde de uma relação - diz o psicólogo. Por outro lado, mensagens irônicas sinalizam que o relacionamento está no fim, assim como o excesso do uso de "não". Agora Slatcher quer descobrir se aumentar o uso de algumas palavras e evitar outras pode ajudar a fortalecer a relação amorosa.

Se pesquisadores conseguirem provar que algumas palavras têm o poder de fortalecer ou acabar com um namoro ou um casamento, poderemos até mudar a forma como funcionam as terapias de casal  - conclui o psicólogo.

Fonte: http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mulher/mat/2009/01/29/mensagens-instantaneas-podem-revelar-como-anda-saude-da-relacao-amorosa-754194670.asp

Respeito...

Por Dietrich von Hildebrand
 
 
 
O respeito é aquela atitude fundamental que, por assim dizer, se pode apontar como mãe de toda a vida .moral, porque é ela que, antes de mais nada, permite abeirar-se do mundo e abrir os olhos para os valores que encerra.
 
Os valores éticos são o que há de mais elevado entre todos os valores naturais. Acima da genialidade, da sensatez, da vida próspera, acima da formosura da natureza e da arte, acima da estrutura perfeita e da força de um Estado, estão a bondade, a pureza, a veracidade e a humildade do homem. Um ato de autêntico perdão, uma renúncia magnânima, um amor ardentemente abnegado encerram um significado e magnitude, uma transcendência e perenidade muito maiores do que todos os valores da nossa civilização. Os valores éticos são o âmago do mundo; a sua negação, o pior dos males: pior do que o sofrimento, a doença, a morte, pior do que a ruína das culturas mais florescentes.

Assim o reconheceram já todos os grandes espíritos, um Sócrates e um Platão, insistindo sempre em que é melhor sofrer uma injustiça do que cometê-la. Mas é sobretudo no cristianismo que esta preferência pelos valores éticos toma o lugar de uma concepção fundamental.

Os valores morais são sempre valores da pessoa. Inerentes unicamente ao homem, só no homem se podem realizar. Uma coisa material, digamos uma pedra, uma casa, não pode ser moralmente boa ou má; nem pode sê-lo um ser vivo, como, por exemplo, uma árvore ou um cão. De modo semelhante, as invenções, as obras do espírito humano - os livros científicos, as obras de arte - também não podem ser sujeitos de valores morais: não lhes é dado serem leais, humildes, cordiais. Podem, quando muito, como sedimento do espírito humano, refletir indiretamente esses valores.

Só o homem, como ser livre, no uso da sua responsabilidade, pode ser moralmente bom ou mau na sua ação e nos seus negócios, no seu querer e no seu esforço, no seu amor e ódio, na sua alegria e tristeza, e nas suas atitudes fundamentais duradouras. Eis por que o ser do próprio homem, a personalidade penetrada de valores éticos - o homem humilde, puro, veraz, fiel, justo, dedicado - é mais transcendente do que a criação de bens culturais.

Mas de que modo chega o homem a participar desses valores morais? Acaso se formam por si sós, como a beleza do semblante, como a inteligência de que foi dotado, como um temperamento vivo? Não: têm origem em atitudes livres e conscientes; exigem uma colaboração essencial. A sua presença depende de uma dedicação consciente e livre. E quanto mais o homem se abrir aos valores éticos, quanto mais pura e incondicionalmente se dedicar a eles, tanto mais rico será também ele próprio em valores morais.

Um homem é incapaz de ser moralmente bom se estiver cego para o valor moral das outras pessoas, se não distinguir o valor inerente à verdade do não-valor inerente ao erro, se não entender o valor que há numa vida humana ou o não-valor de uma injustiça. Se alguém se interessa apenas por saber se determinada coisa o satisfaz ou não, se lhe é agradável, em vez de se interrogar sobre o seu significado, a sua beleza, a sua bondade, ou sobre o que vem a ser em si mesma; numa palavra, se não se interessa por saber se essa coisa é valiosa, é-lhe impossível ser moralmente bom.

A alma de todo o comportamento eticamente bom reside na dedicação àquilo que objetivamente é valioso, no interesse por uma ação na medida em que esta encerra valores morais. Suponhamos dois homens que testemunham uma injustiça sofrida por um terceiro. Um, interessado apenas na sua satisfação pessoal, não se importa nada com o ocorrido, dizendo de si para si: antes ele do que eu. O outro, em contrapartida, prefere sofrer pessoalmente a injustiça a ver o terceiro padecê-la. Este é que tem um comportamento moralmente bom; aquele, um comportamento imoral, porquanto passa indiferente pela questão dos valores.

Fazer ou deixar de fazer o que é agradável, mas indiferente do ponto de vista dos valores, isso fica à discrição de cada um; se uma pessoa come ou não um prato saboroso, isso é lá com ela. O que é valioso, porém, exige de nós uma resposta afirmativa, assim como o não-valioso nos exige uma recusa.

 

Romance Art Print by Christine Zalewski



Aqui já não se pode adotar um comportamento qualquer; impõe-se dar a resposta correta. Ajudar alguém que passa necessidade não é uma questão de gosto; quem não o faz torna-se culpado de ignorar o valor objetivo da ajuda. Só o homem que entende que há coisas belas e boas em si mesmas é que capta a exigência sublime dos valores, o seu apelo a deixar-se guiar por eles e a submeter-se à sua lei. Só esse homem é capaz de ultrapassar o seu horizonte subjetivo e de crescer moralmente, entregando-se ao que é significativo e vencendo a limitação de sempre perguntara si próprio o que é que o satisfaz. Só esse homem pode tornar-se propriamente portador de valores éticos.

Ora, isso só se verifica no homem respeitador. O respeito é aquela atitude fundamental que, por assim dizer, se pode apontar como mãe de toda a vida moral, porque é ela que, antes de mais nada, permite abeirar-se do mundo e abrir os olhos para os valores que encerra. Por isso, quando se fala sobre as atitudes éticas fundamentais, isto é, sobre atitudes que fundamentam toda a vida moral, temos de falar em primeiro lugar do respeito.

O homem desrespeitoso, atrevido, é incapaz de toda e qualquer dedicação e subordinação. Ora se torna escravo da soberba, daquela contração do eu que o encerra em si mesmo e o mergulha em cegueira, levando-o a perguntar constantemente: Terá subido de ponto o meu prestígio, terá aumentado o meu poder?; ora se faz escravo da avidez com que reduz o mundo inteiro a uma mera ocasião de prazer. Por isso não consegue criar no seu íntimo aquele silêncio, aquela atitude receptiva que permite compreender o que há de peculiar e valioso em cada situação e em cada homem. Trata tudo com a impertinência e a indelicadeza de quem só repara em si mesmo e só se escuta a si mesmo, sem cuidar do mais que existe. Não sabe manter distância alguma em relação ao mundo.

Esta falta de respeito apresenta duas modalidades, conforme se baseie na soberba ou na avidez. A primeira, a falta de respeito que procede da soberba, é a insolência. O homem deste tipo, com uma sobranceria petulante, abeira-se de tudo sem se dar ao incômodo de entender a fundo coisa alguma. É o sabichão enfadonho que, sem mais, tudo julga descobrir e conhecer de antemão. É o homem para quem nada pode haver de superior a si mesmo, nada que ultrapasse o seu horizonte ou encerre algum segredo. É o homem a quem Shakespeare, no seu Hamlet, avisa que há mais coisas entre céu e terra do que sonha a vossa filosofia. É o homem ignorante, obtuso, do gênero daquele Wagner, fâmulo do Fausto, todo satisfeito por ver quanto progrediu.

Um homem destes não sabe nada da amplidão e da profundeza do mundo, do sentido misterioso e da plenitude incomensurável do belo e do bom, de que nos falam cada raio de sol e cada planta, e que se desvendam no sorriso inocente de uma criança e nas lágrimas de arrependimento do pecador. Para o seu olhar estreito, arrogante, o mundo achatou-se, tornou-se unidimensional, insípido, insignificante. Está cego para os valores e para o mundo. Passa por eles ignorando-os.

A outra modalidade de falta de respeito, a do ávido embotado, é igualmente cega para os valores. Só lhe interessa saber se uma coisa lhe é ou não agradável, se lhe dá prazer, se lhe traz alguma utilidade, se precisa dela. Em tudo se limita a ver o aspecto que se prende com o seu interesse ocasional, imediato. Tudo quanto há se cifra para ele num meio de atingir os seus fins egoístas. Gira eternamente no círculo da sua estreiteza, sem dele sair jamais. Daí o não conhecer também a felicidade profunda e verdadeira que só brota da dedicação a valores puros, do contacto com aquilo que em si é belo e bom.

Não se dirige com insolência a tudo o que existe, como o primeiro tipo, mas é como ele falto de abertura e de distância; porque, como apenas procura o que num dado momento lhe é útil e necessário, tudo passa por alto. Não logra jamais o silêncio interior, não consegue abrir-se, não se deixa presentear. Também ele vive num eu espasmodicamente contraído. O seu olhar resvala em tudo estupidamente, sem penetrar no verdadeiro sentido e valor de qualquer assunto. É também míope, e põe-se tão perto de tudo, que lhe escapa o conhecimento da verdadeira essência das coisas; deste modo, não concede a nada do que existe o espaço necessário para que se desenvolva na sua peculiaridade e plenitude, e o mundo fecha-lhe por seu turno a sua amplitude, profundeza e altura.
 
Quem é respeitador encara o mundo de uma maneira inteiramente diferente. Descontraído, sem espasmos, livre da soberba e da avidez, longe de encher o mundo com o seu eu, cede ao que existe a sua vez, para deixá-lo desenvolver-se na sua peculiaridade. Percebe a dignidade e a nobreza do que existe, simplesmente por existir em face do nada; percebe o valor que possui cada pedra, cada fio de água, cada talo de erva, enquanto é real, enquanto é criação que possui o seu ser próprio; percebe que cada coisa é o que é, que é algo independente da pessoa do observador e subtraído ao seu arbítrio, ao contrário de qualquer simples quimera ou aparência.

Eis por que, em vez de fazer da criação um simples meio para si e para os seus eventuais objetivos e fins egoístas, toma-a a sério em si mesma, dando-lhe a vez de se mostrar na sua peculiaridade. Cala-se para deixar falar o existente.

Esta atitude de abertura ao existente como tal, embebida da disposição de apreciar algo de mais elevado que o próprio arbítrio e prazer, faz do homem um vidente de valores. A quem se há de abrir a sublime beleza de um pôr-de-sol ou de uma Nona Sinfonia de Beethoven, a quem senão àquele que respeitosamente se abeira dela, abrindo-se interiormente ao respectivo ser que nela existe? Para quem há de reluzir o milagre que palpita na vida e desabrocha em qualquer planta, para quem senão para aquele que a contempla cheio de respeito? Em contrapartida, o mundo, cheio de sentido e de finalidades organizadas, nunca se desvenda na sua beleza e misteriosa dignidade a quem se limita a ver nele gêneros alimentícios ou um ganha-pão, isto é, qualquer coisa de que se pode servir e que lhe aproveita.

O respeito é o pressuposto imprescindível de todo o conhecimento profundo, e sobretudo de todo o deixar-se enriquecer e elevar pelos valores, de toda a subordinação à sua majestade. Assim no-lo pode confirmar o comportamento moral nas mais diversas esferas da vida.

Com efeito, a atitude fundamental de respeito está na base de todo o gênero de comportamentos éticos do homem para com o seu próximo e para consigo.

 

Love Art Print by Christine Zalewski



Só o indivíduo. respeitador pode descobrir toda a magnitude e profundidade de cada homem enquanto pessoa espiritual, enquanto ser livre e responsável, o único entre os seres conhecidos que é capaz de compreender e comunicar-se com os outros seres, adotando perante as coisas uma posição cheia de sentido; o único destinado a tornar-se um recipiente de bondade, pureza, fidelidade, humildade. Como há de alguém abrir-se realmente a um outro, como há de sacrificar-se por ele, se não faz idéia da preciosidade e da abundância que se encerram numa alma humana, se não tem nenhum respeito por essa criação?

Além disso, esta atitude fundamental de respeito é pressuposto de todo o verdadeiro amor, sobretudo do amor ao próximo, porque nenhum amor é possível sem a compreensão dos valores que a pessoa traz consigo. O respeito pelo ser amado é parte constitutiva de cada amor. A capacidade de escutar a peculiaridade do outro, em vez de violar essa peculiaridade ao sabor dos próprios desejos, a capacidade de tomar a sério o ser amado e de lhe dar largas para que se possa expandir - todos estes elementos, que compõem a estrutura do amor autêntico, derivam do respeito.

Que seria do amor de mãe sem o respeito pela criança em formação, por todas as possibilidades de valor nela latentes, peias preciosidades da sua alma? E não é nesta atitude fundamental de respeito que repousa a justiça para com os demais, a estima pelos seus direitos, pela liberdade das suas resoluções, bem como a limitação dos caprichos próprios e a compreensão das pretensões alheias? O respeito pelo vizinho é por sua vez o fundamento de toda a verdadeira convivência, da reta incorporação no matrimonio, na família, na nação, no Estado, na humanidade; é ainda o fundamento da submissão à autoridade legítima, do cumprimento dos deveres morais para com a comunidade como um todo e para com os membros individuais que a compõem. A falta de respeito rompe e corrompe a comunidade.

Mas o respeito é também a alma do reto comportamento ético noutras esferas da vida. É o que sucede, por exemplo, na esfera da pureza. O respeito pelo segredo da união conjugal, pela profundidade, delicadeza e caráter rotundamente definitivo dessa intimíssima entrega, constitui o pressuposto da pureza. É o respeito que, antes de mais, permite compreender como é pavoroso invadir abusivamente esse campo íntimo, compreender até que ponto há nessa invasão uma profanação e uma degradação de si mesmo e dos outros. O respeito pelo milagre da origem da nova vida, na mais estreita união amorosa entre dois seres humanos, fundamenta o horror a todas as demolições da misteriosa conexão que existe entre o amor e a formação de um novo homem, permitindo compreender quanto elas são injuriosas, artificiais ou impertinentes.

Onde quer que se ponham os olhos, onde quer que no homem deva florescer a vida moral, o respeito é sempre o fundamento e simultaneamente um elemento essencial dessa vida.

Sem essa atitude fundamental, não há nenhum amor verdadeiro, nenhuma justiça, nenhuma consideração, nenhuma auto-educação, nenhuma pureza, nenhuma veracidade; mas, sobretudo, nenhuma profundidade.

Sem o respeito, o homem torna-se mesmo trivial e fútil, porque não entende a profundidade que se esconde nos seres, porque para ele não há mundo algum por trás ou acima do visivelmente palpável.

Por isso, também só para o homem respeitador se abre a esfera da religião. O sentido e o valor que se encerram no mundo como um todo, só aos seus olhos se revelam. Assim, o respeito surge como atitude ética fundamental, no início de todo o conhecimento, de toda a vida moral, de toda a religião. O respeito é, portanto, a base de todo o comportamento reto do homem para consigo mesmo, para com o próximo, para com todas as esferas da criação e sobretudo para com DeusOs valores éticos são o que há de mais elevado entre todos os valores naturais. Acima da genialidade, da sensatez, da vida próspera, acima da formosura da natureza e da arte, acima da estrutura perfeita e da força de um Estado, estão a bondade, a pureza, a veracidade e a humildade do homem. Um ato de autêntico perdão, uma renúncia magnânima, um amor ardentemente abnegado encerram um significado e magnitude, uma transcendência e perenidade muito maiores do que todos os valores da nossa civilização. Os valores éticos são o âmago do mundo; a sua negação, o pior dos males: pior do que o sofrimento, a doença, a morte, pior do que a ruína das culturas mais florescentes.

Assim o reconheceram já todos os grandes espíritos, um Sócrates e um Platão, insistindo sempre em que é melhor sofrer uma injustiça do que cometê-la. Mas é sobretudo no cristianismo que esta preferência pelos valores éticos toma o lugar de uma concepção fundamental.

Os valores morais são sempre valores da pessoa. Inerentes unicamente ao homem, só no homem se podem realizar. Uma coisa material, digamos uma pedra, uma casa, não pode ser moralmente boa ou má; nem pode sê-lo um ser vivo, como, por exemplo, uma árvore ou um cão. De modo semelhante, as invenções, as obras do espírito humano - os livros científicos, as obras de arte - também não podem ser sujeitos de valores morais: não lhes é dado serem leais, humildes, cordiais. Podem, quando muito, como sedimento do espírito humano, refletir indiretamente esses valores.

Só o homem, como ser livre, no uso da sua responsabilidade, pode ser moralmente bom ou mau na sua ação e nos seus negócios, no seu querer e no seu esforço, no seu amor e ódio, na sua alegria e tristeza, e nas suas atitudes fundamentais duradouras. Eis por que o ser do próprio homem, a personalidade penetrada de valores éticos - o homem humilde, puro, veraz, fiel, justo, dedicado - é mais transcendente do que a criação de bens culturais.

 

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Mas de que modo chega o homem a participar desses valores morais? Acaso se formam por si sós, como a beleza do semblante, como a inteligência de que foi dotado, como um temperamento vivo? Não: têm origem em atitudes livres e conscientes; exigem uma colaboração essencial. A sua presença depende de uma dedicação consciente e livre. E quanto mais o homem se abrir aos valores éticos, quanto mais pura e incondicionalmente se dedicar a eles, tanto mais rico será também ele próprio em valores morais.

Um homem é incapaz de ser moralmente bom se estiver cego para o valor moral das outras pessoas, se não distinguir o valor inerente à verdade do não-valor inerente ao erro, se não entender o valor que há numa vida humana ou o não-valor de uma injustiça. Se alguém se interessa apenas por saber se determinada coisa o satisfaz ou não, se lhe é agradável, em vez de se interrogar sobre o seu significado, a sua beleza, a sua bondade, ou sobre o que vem a ser em si mesma; numa palavra, se não se interessa por saber se essa coisa é valiosa, é-lhe impossível ser moralmente bom.

A alma de todo o comportamento eticamente bom reside na dedicação àquilo que objetivamente é valioso, no interesse por uma ação na medida em que esta encerra valores morais. Suponhamos dois homens que testemunham uma injustiça sofrida por um terceiro. Um, interessado apenas na sua satisfação pessoal, não se importa nada com o ocorrido, dizendo de si para si: antes ele do que eu. O outro, em contrapartida, prefere sofrer pessoalmente a injustiça a ver o terceiro padecê-la. Este é que tem um comportamento moralmente bom; aquele, um comportamento imoral, porquanto passa indiferente pela questão dos valores.

Fazer ou deixar de fazer o que é agradável, mas indiferente do ponto de vista dos valores, isso fica à discrição de cada um; se uma pessoa come ou não um prato saboroso, isso é lá com ela. O que é valioso, porém, exige de nós uma resposta afirmativa, assim como o não-valioso nos exige uma recusa.

Aqui já não se pode adotar um comportamento qualquer; impõe-se dar a resposta correta. Ajudar alguém que passa necessidade não é uma questão de gosto; quem não o faz torna-se culpado de ignorar o valor objetivo da ajuda. Só o homem que entende que há coisas belas e boas em si mesmas é que capta a exigência sublime dos valores, o seu apelo a deixar-se guiar por eles e a submeter-se à sua lei. Só esse homem é capaz de ultrapassar o seu horizonte subjetivo e de crescer moralmente, entregando-se ao que é significativo e vencendo a limitação de sempre perguntara si próprio o que é que o satisfaz. Só esse homem pode tornar-se propriamente portador de valores éticos.

Ora, isso só se verifica no homem respeitador. O respeito é aquela atitude fundamental que, por assim dizer, se pode apontar como mãe de toda a vida moral, porque é ela que, antes de mais nada, permite abeirar-se do mundo e abrir os olhos para os valores que encerra. Por isso, quando se fala sobre as atitudes éticas fundamentais, isto é, sobre atitudes que fundamentam toda a vida moral, temos de falar em primeiro lugar do respeito.

O homem desrespeitoso, atrevido, é incapaz de toda e qualquer dedicação e subordinação. Ora se torna escravo da soberba, daquela contração do eu que o encerra em si mesmo e o mergulha em cegueira, levando-o a perguntar constantemente: Terá subido de ponto o meu prestígio, terá aumentado o meu poder?; ora se faz escravo da avidez com que reduz o mundo inteiro a uma mera ocasião de prazer. Por isso não consegue criar no seu íntimo aquele silêncio, aquela atitude receptiva que permite compreender o que há de peculiar e valioso em cada situação e em cada homem. Trata tudo com a impertinência e a indelicadeza de quem só repara em si mesmo e só se escuta a si mesmo, sem cuidar do mais que existe. Não sabe manter distância alguma em relação ao mundo.

Esta falta de respeito apresenta duas modalidades, conforme se baseie na soberba ou na avidez. A primeira, a falta de respeito que procede da soberba, é a insolência. O homem deste tipo, com uma sobranceria petulante, abeira-se de tudo sem se dar ao incômodo de entender a fundo coisa alguma. É o sabichão enfadonho que, sem mais, tudo julga descobrir e conhecer de antemão. É o homem para quem nada pode haver de superior a si mesmo, nada que ultrapasse o seu horizonte ou encerre algum segredo. É o homem a quem Shakespeare, no seu Hamlet, avisa que há mais coisas entre céu e terra do que sonha a vossa filosofia. É o homem ignorante, obtuso, do gênero daquele Wagner, fâmulo do Fausto, todo satisfeito por ver quanto progrediu.

Um homem destes não sabe nada da amplidão e da profundeza do mundo, do sentido misterioso e da plenitude incomensurável do belo e do bom, de que nos falam cada raio de sol e cada planta, e que se desvendam no sorriso inocente de uma criança e nas lágrimas de arrependimento do pecador. Para o seu olhar estreito, arrogante, o mundo achatou-se, tornou-se unidimensional, insípido, insignificante. Está cego para os valores e para o mundo. Passa por eles ignorando-os.

A outra modalidade de falta de respeito, a do ávido embotado, é igualmente cega para os valores. Só lhe interessa saber se uma coisa lhe é ou não agradável, se lhe dá prazer, se lhe traz alguma utilidade, se precisa dela. Em tudo se limita a ver o aspecto que se prende com o seu interesse ocasional, imediato. Tudo quanto há se cifra para ele num meio de atingir os seus fins egoístas. Gira eternamente no círculo da sua estreiteza, sem dele sair jamais. Daí o não conhecer também a felicidade profunda e verdadeira que só brota da dedicação a valores puros, do contacto com aquilo que em si é belo e bom.

Não se dirige com insolência a tudo o que existe, como o primeiro tipo, mas é como ele falto de abertura e de distância; porque, como apenas procura o que num dado momento lhe é útil e necessário, tudo passa por alto. Não logra jamais o silêncio interior, não consegue abrir-se, não se deixa presentear. Também ele vive num eu espasmodicamente contraído. O seu olhar resvala em tudo estupidamente, sem penetrar no verdadeiro sentido e valor de qualquer assunto. É também míope, e põe-se tão perto de tudo, que lhe escapa o conhecimento da verdadeira essência das coisas; deste modo, não concede a nada do que existe o espaço necessário para que se desenvolva na sua peculiaridade e plenitude, e o mundo fecha-lhe por seu turno a sua amplitude, profundeza e altura.

Quem é respeitador encara o mundo de uma maneira inteiramente diferente. Descontraído, sem espasmos, livre da soberba e da avidez, longe de encher o mundo com o seu eu, cede ao que existe a sua vez, para deixá-lo desenvolver-se na sua peculiaridade. Percebe a dignidade e a nobreza do que existe, simplesmente por existir em face do nada; percebe o valor que possui cada pedra, cada fio de água, cada talo de erva, enquanto é real, enquanto é criação que possui o seu ser próprio; percebe que cada coisa é o que é, que é algo independente da pessoa do observador e subtraído ao seu arbítrio, ao contrário de qualquer simples quimera ou aparência.

Eis por que, em vez de fazer da criação um simples meio para si e para os seus eventuais objetivos e fins egoístas, toma-a a sério em si mesma, dando-lhe a vez de se mostrar na sua peculiaridade. Cala-se para deixar falar o existente.
 
 

Dandelions Art Print by Henryk T. Kaiser



Esta atitude de abertura ao existente como tal, embebida da disposição de apreciar algo de mais elevado que o próprio arbítrio e prazer, faz do homem um vidente de valores. A quem se há de abrir a sublime beleza de um pôr-de-sol ou de uma Nona Sinfonia de Beethoven, a quem senão àquele que respeitosamente se abeira dela, abrindo-se interiormente ao respectivo ser que nela existe? Para quem há de reluzir o milagre que palpita na vida e desabrocha em qualquer planta, para quem senão para aquele que a contempla cheio de respeito? Em contrapartida, o mundo, cheio de sentido e de finalidades organizadas, nunca se desvenda na sua beleza e misteriosa dignidade a quem se limita a ver nele gêneros alimentícios ou um ganha-pão, isto é, qualquer coisa de que se pode servir e que lhe aproveita.

O respeito é o pressuposto imprescindível de todo o conhecimento profundo, e sobretudo de todo o deixar-se enriquecer e elevar pelos valores, de toda a subordinação à sua majestade. Assim no-lo pode confirmar o comportamento moral nas mais diversas esferas da vida.

Com efeito, a atitude fundamental de respeito está na base de todo o gênero de comportamentos éticos do homem para com o seu próximo e para consigo.

Só o indivíduo. respeitador pode descobrir toda a magnitude e profundidade de cada homem enquanto pessoa espiritual, enquanto ser livre e responsável, o único entre os seres conhecidos que é capaz de compreender e comunicar-se com os outros seres, adotando perante as coisas uma posição cheia de sentido; o único destinado a tornar-se um recipiente de bondade, pureza, fidelidade, humildade. Como há de alguém abrir-se realmente a um outro, como há de sacrificar-se por ele, se não faz idéia da preciosidade e da abundância que se encerram numa alma humana, se não tem nenhum respeito por essa criação?

Além disso, esta atitude fundamental de respeito é pressuposto de todo o verdadeiro amor, sobretudo do amor ao próximo, porque nenhum amor é possível sem a compreensão dos valores que a pessoa traz consigo. O respeito pelo ser amado é parte constitutiva de cada amor. A capacidade de escutar a peculiaridade do outro, em vez de violar essa peculiaridade ao sabor dos próprios desejos, a capacidade de tomar a sério o ser amado e de lhe dar largas para que se possa expandir - todos estes elementos, que compõem a estrutura do amor autêntico, derivam do respeito.

Que seria do amor de mãe sem o respeito pela criança em formação, por todas as possibilidades de valor nela latentes, peias preciosidades da sua alma? E não é nesta atitude fundamental de respeito que repousa a justiça para com os demais, a estima pelos seus direitos, pela liberdade das suas resoluções, bem como a limitação dos caprichos próprios e a compreensão das pretensões alheias? O respeito pelo vizinho é por sua vez o fundamento de toda a verdadeira convivência, da reta incorporação no matrimonio, na família, na nação, no Estado, na humanidade; é ainda o fundamento da submissão à autoridade legítima, do cumprimento dos deveres morais para com a comunidade como um todo e para com os membros individuais que a compõem. A falta de respeito rompe e corrompe a comunidade.

Mas o respeito é também a alma do reto comportamento ético noutras esferas da vida. É o que sucede, por exemplo, na esfera da pureza. O respeito pelo segredo da união conjugal, pela profundidade, delicadeza e caráter rotundamente definitivo dessa intimíssima entrega, constitui o pressuposto da pureza. É o respeito que, antes de mais, permite compreender como é pavoroso invadir abusivamente esse campo íntimo, compreender até que ponto há nessa invasão uma profanação e uma degradação de si mesmo e dos outros. O respeito pelo milagre da origem da nova vida, na mais estreita união amorosa entre dois seres humanos, fundamenta o horror a todas as demolições da misteriosa conexão que existe entre o amor e a formação de um novo homem, permitindo compreender quanto elas são injuriosas, artificiais ou impertinentes.

Onde quer que se ponham os olhos, onde quer que no homem deva florescer a vida moral, o respeito é sempre o fundamento e simultaneamente um elemento essencial dessa vida.

Sem essa atitude fundamental, não há nenhum amor verdadeiro, nenhuma justiça, nenhuma consideração, nenhuma auto-educação, nenhuma pureza, nenhuma veracidade; mas, sobretudo, nenhuma profundidade.

Sem o respeito, o homem torna-se mesmo trivial e fútil, porque não entende a profundidade que se esconde nos seres, porque para ele não há mundo algum por trás ou acima do visivelmente palpável.

Por isso, também só para o homem respeitador se abre a esfera da religião. O sentido e o valor que se encerram no mundo como um todo, só aos seus olhos se revelam. Assim, o respeito surge como atitude ética fundamental, no início de todo o conhecimento, de toda a vida moral, de toda a religião. O respeito é, portanto, a base de todo o comportamento reto do homem para consigo mesmo, para com o próximo, para com todas as esferas da criação e sobretudo para com Deus.
 

 
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